"O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar."
Drummond, Carlos.
"O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar."
Drummond, Carlos.
São nestes momentos - repletos de tormenta - que a veia artística aflora.
São nesses momentos de inconstância e loucura que a poesia se engrandece.
Talvez seja porque a felicidade plena seja puro lirismo e a turbulência um emaranhado de palavras enigmáticas.
Somos permeados pela dúvida e eu - oras! e quem mais o deixaria em tal estado de letargia? - te deixo em dúvida!
Sou uma amante cruel, me refugiando em palavras rebuscadas que te deixam transtornado, desfeito em emaranhados, com a tez enrugada, expressando dúvida e um pouco de decepção... ou, ainda, muita decepção!
Mas, amor, não me julgue! Sou uma jovem amante!
Descomposta, repleta de dúvidas - e dívidas - e, também, muito amor.
Queria lhe prometer felicidade, mas, antes, tens de lidar com a minha ambiguidade.
Então, me perdoe, amor, se não sou Arabella e se meu lirismo é superficial, descompassado e confuso. Apenas saiba, amor, que esses versos brancos não são tão brancos quanto tuas costas revelam ser.
Talvez um pouco de bobagem,
Um pouco de leseira
E uma boa dose de vício novo façam bem...
Tão bem quanto se descobrir mais uma vez...
Sentir-se reavivada, relida e requerida mais uma vez...
Sentir-se uma pouco mais feminina...
Um pouco menos sem fôlego...
Só mais uma vez...
Umas vezes...
E então ela reaparece!
Como uma lembrança metódica das coisas mal feitas,
das coisas não ditas,
dos segredos velados
e dos amores em farrapos
que eu já deixei pra trás.
"É que, quando amávamos, eu não sabia que o amor estava acontecendo muito mais exatamente quando não havia o que chamávamos de amor. O neutro do amor, era isso o que nós vivíamos e desprezávamos."
Lispector, Clarice.
Se eu pudesse escolher entre dois tipos de felicidade, o meu passado com outro ou meu futuro duvidoso, acho que preferiria escolher a falsa felicidade que é o teu paraíso.
Nem mais mulher...
Nem mais adolescente...
Encontra-se, ela, numa fase intransigente
Em que amar, doar-se e perder-se é só uma questão de carência;
De querer-se...
Só.
Sozinha.
Concubina da depressão fez-se
Sem motivos aparentes...
Seus segredos são velados...
Faltou-lhe pulso,
Faltou-lhe...
[afago?]
Do afago amargo,
Fez mel
E de suas palavras...
O mais puro fel
Atirando-se sem rumo,
Pôs-se a pensar...
Seria, deveras, sobre Amor?
Seria, deveras, sobre Cigarillas?
Seria, deveras, sobre Merlot ou Cabernet?
Seria, deveras, sobre seu Adônis perdido?
Ou sobre Eco retumbando em sua tumba de pedras?
Impenetrável...
Uma Psiquê contemporânea,
Abraçando o Cupido mal esculpido,
Feito das entranhas de um Lobo Guará,
Talhado à mão por quem faz Maracás
Ainda assim, ainda assim, sua tristeza, repentina!, continua me sendo um mistério...
A mim, observadora do Alto,
Atiro-me num salto por um átimo de certeza...
Sei da tristeza dela...
Confessou-se à mim, Condessa...
Escapou de minhas mãos
[E suposições]
Como uma libélula que foge ao entardecer ...
O céu já foi mais azul...
Os rouxinóis já cantaram mais alto
E os viúvos vivos travaram sua última batalha...
Nessa tela pitoresca,
Em busca de saber,
Em busca de entender o que queria...
Perdemo-nos e peço perdão por ter falhado...
Erros não evitados...
Resultados equivocados...
Não esperados...
Mal interpretados...
Ora, quanta redundância!
Quanta desimportância!
Lispector, Lispector...
Não sou Lispector, muito menos Clarice...
Não sou como essa mulher, mas compreendo seus segredos...
Deusa incompreendida, lida por almas mal-formadas...
Revelou sua paixão por meio de G.H., despiu sua pele de foca e encaminhou-se ao mar.
Meu bem, me diga:
Como é que eu faço
Para você dizer que me quer
E depois me chamar
Para tomar um café?
Sim, sim, conversamos durante a madrugada...
E você não me disse nada.
Sim, sim, estou equivocada...
Talvez devesse dar uma repensada.
Sim, sim, estou incomodada...
Fadada a ver você desconversar.
Sim, sim, estou enganada...
Não hei de, porém, me preocupar...
Sim, sim, estou certa...
Tu és um gajo acomodado,
De atitude e palavras lesadas,
De gestos lerdos
E poucos versos...
És, acima de tudo,
Um gajo elaborado,
Não desvendado
Nem encontrado pelo meu Mapa
Que não me levou a
Nada...
Loucura, devaneio... já não sei... Nesse abismo desenfreado,
Estou a me lançar...
Quem há de me aparar?
Tu?
Teu Deus?
Mostra, mostra, agora, a tua face
Ou, quem sabe, a face do teu salvador!
Pois o meu, que és tu, virou-me as costas,
Lançou-me ao Inferno...
Mas pouco me importa,
Já me abstive de meus pecados...