quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobre alguém

Cada um pensa que suas prioridades estão acima de tudo, mas ninguém sabe que o TUDO desvaloriza prioridades.
Cada um sabe de si, mas os outros sabem mais.
Agora sou apenas mais um número na infinita equação...
Infinitas possibilidades.

Eu e Ela; Ela e Eu; "Eleu".

Eu e ela pensamos em fazer qualquer coisa,
Em topar qualquer coisa,
Em mudar qualquer coisa;

Eu e ela choramos ao relento,
Segurando o chapéu contra o vento,
Enquanto - eles - lendo;

Eu e ela buscamos qualquer verso,
Rabiscamos qualquer feitiço,
Fingimos qualquer rebuliço;

Eu e ela não somos as mesmas,
Ainda agimos como lesmas.

Eu e ela não somos farsantes, 
Somos fantasmas ambulantes
Num marasmo de cores sem fim.

Eu e ela demos uma volta no Restelo,
Mas só encontramos restos.

Eu e ela nada somos,
Fingimos que somos,
Mas tudo somos.

Eu e ela somos perfeitamente imperfeitas,
Feitas à óleo, por não se misturarem com nada.

Eu e ela, ela e eu,
Tanto faz.
Podemos ser "eleu".

Juntas na mesma miséria, 
Buscando a mesma coisa,
Disfarçando.
Interpretando o mesmo teatro,
Como atrizes coadjuvantes,
Rindo risos tristes.

Atores diferentes contracenam.
Mal sabem eles de Ela e Eu,
Eu e Ela.
"Eleu". 




1 - 1 = 2

Se o amor fosse simples, não haveria tantas pessoas tentando defini-lo;
Se o amor fosse simples, não rimaria com dor.

Se amar fosse justo, não combinaria com chorar;
Se amar fosse justo, ainda estaria aqui;
Se amar fosse simples, ainda seríamos os mesmos;
Se amar fosse simples, não seríamos distantes; não seríamos amigos.

1+1 = 2, você diz nas suas equações,
Mas nas minhas, 1+1=1

domingo, 19 de maio de 2013

Quatro gatos tristes... comendo biscoito.

Coma biscoitos para a sua tristeza.
Chore rios.
Desperte.
Apalpe.
As coisas vão andando, continuando, e só você fica pra trás.

Coma biscoitos para sua tristeza.

Reflita.
Pense, mas não pense demais, porque pensar demais nos leva aos nossos demônios e você vai acabar comendo mais biscoitos para a sua tristeza acabar.

Relaxe.
E coma biscoitos até se acabar.

sábado, 18 de maio de 2013

Nefertiti

Vês que dá do teu sangue?
E que não pões tanta paixão no que precisas?
Que abandonaste as tuas felicidades
Por uma suposta "Qualidade de Vida"?

Não vês que será infeliz?
E pensarás "Por que não fiz o que quis?"
E o arrependimento virá da capa de um livro,
Lhe murmurando um jogral joliz

A alma dissecando...
E quem disse que ela existe?
O carpe diem é o que há, pois a vida é rápida
E válida

O corpo enruga enquanto ganhas dinheiro
E pensarás "Por que não fiz o que quis?"

A procura da felicidade é distorcida...
Dinheiro É Felicidade...
No entanto, sabes que não comprará a pessoa amada
Sabes, apenas, do interesse da futura mulherada...

E elas correrão atrás de ti,
Mesmo sem saber o teu nome,
Mesmo sem saber teus gostos,
Mesmo sem saber que o que procuras,
O que realmente queres,
É o sorriso de Nefertiti.





Jovanês

Vá entender a pequenina...
Tão doce e frágil,
Tão lastimável...
Envolvida numa sina de dois!
Mal sabe ela o que perde...
Mal sabe ela a trama que se desenrola....

Em torno dela, indecisões e falta de vontade...
A pobre, coitada, mal contém a ansiedade
Ah, pensa ela, que ensejo de beijar!
Mal sabe ela o selo que a vai atar;
Mal sabe ela a felicidade
E a ambiguidade do amante revolto...

Ela sabe, sim, da precocidade
Sabe, também, que é forçoso
Mas a menina não vê que,
Apesar da idade,
O amor é algo passageiro, leve e ocioso...
E beijar, nada mais é que delicioso
Contudo, uma droga infecciosa...

És, agora, maliciosa
Ó, pequena Jovanesa.


The Con

Podemos nos sentir puros mentirosos, pútridos, hipócritas...
Mas o somos?
Somos tão farsantes?
Somos coordenados por indecisão?
Somos feitos de que essência?
O que nos compõe?
Por que as pessoas falam "se cuida", se ainda não sabemos cuidar de nós mesmos?
A maioria das coisas não têm feito muito sentindo... embora sentir-se confuso não seja uma realidade, várias perguntas rodeiam e permeiam a mente, atravessando cada membrana mais sensível do cérebro.

Ainda parecemos farsantes?
Ainda somos falsas apostas?
Ainda dizemos que nos importamos?
Por quê?
Isso é verdade?
Onde está a veracidade?

Cobre teus olhos, não vejo tua face, tua boca solta murmúrios e as palavras se perdem...
És inconstante?
Todos somos.
Todos somos muros, impenetráveis, com nossos próprios segredos, sendo nós mesmos, sem hipocrisia, por alguns segundos.

Somos frágeis?
Suscetíveis?

Como vamos saber?
Tudo parece um enigma à ti.
Tudo é um enigma à ti. Inclusive eu.
Já me desvendaste?

Então sabes que sou farsante.



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Qualidade de Vida X Felicidade

A felicidade vem quando menos esperamos.
Estabilidade não é mais sinônimo de felicidade; não para mim.
Olhar-se no espelho e cair na realidade pode ser chocante, mas eficaz.
Acordar, se sacudir, aproveitar... como diz na propaganda da "Mastercard", não tem preço.
É impagável a sensação de liberdade; sentir-se real e radiante, disposto(a) para mais dias, iluminados ou não.
O melhor de tudo é descobrir que não se depende mais de alguém para se sentir feliz porque, agora, você se sente real, verdadeiro, sabe que tem ossos e que não precisa de ninguém para apoiá-los, mas descobre que precisa de todos na verdade.
Integrar-se à música e ao ar, ao ambiente, e você se tornando um... isso é impagável.
Todos os sentidos reestimulados e a descoberta de novas coisas... tudo isso, num sentimento só e tudo isso passando num segundo diante de um espelho, quando um minuto atrás era-se completamente infeliz...
Isso é impagável...
A felicidade é impagável...
Não confunda qualidade de vida com ela, pois a felicidade incide de dentro, não de fora.
Somos inteiros, nunca fomos metade. É burrice esperar pela metade... espere pelo SUPLEMENTO, agarre-o e seja mais feliz ainda.

domingo, 5 de maio de 2013

À Perdida

Não te percas, cara amiga
Hei de enviar um mapa à ti,
Hei de guia-lá até a Constelação do Cruzeiro
E de lá, há de encontrar-te.

E tocarás no amor e na esperança de algo - alguém - que há de amá-la,
Que há de completá-la...

Meu serviço?
Dar-te uma carona até lá
E sorrir, acenando, de dentro do carro alado.

Trova à Tristeza

Pessoas choram, sofrem por amores intocáveis; perdidos.
Pessoas choram, sofrem por perderem lembranças gostosas.
Pessoas choram, sofrem por não poderem ser livres.
Pessoas choram, sofrem por gosto de se lamentar...

Pessoas não enxergam que já é passada a hora de saltar fora;
Pessoas não aceitam que já não são mais amadas e insistem em investir seu amor num passado já longínquo para o outro;
Pessoas choram, sofrem por gosto de se lamentar.

Tristeza é confortável...
Alegria é exigente.

Tristeza é um berço de lágrimas acolhedoras...
Felicidade não exige nada.

Tristeza dá dor de cabeça...
Alegria cansa o maxilar de tantos sorrisos.

Tristeza é capricho
E a Felicidade desmazelo.

Prezarei pela bagunça.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Súplicas

O tempo desfavorável
E o encontro cada vez mais raro...
Bocas a se abrirem em canto lastimável
E a se unirem no arroubo púrpuro!

Que triste façanha!
Afastar-se da cama,
Que triste, que lamentável!
Chorar pencas e penas
Por uma hora memorável...

Envolve-me.
E faz do meu corpo cama.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Holocausto Semanal

E o processo se repete sempre, todo dia, a toda hora... Segunda, terça, quarta e mais um dia sem te ver; sexta e sábado, um delírio, um suspiro! E domingo se repete o holocausto dos amores.

Aos Poetas

Até ontem pensava que para escrever era necessária vocação, mas hoje vejo que falta emoção.
E nessa falta, o que vemos são palavras insossas e insípidas, vendendo milhões em cada esquina.
As coisas perderam sua musicalidade para ficarem no ritmo "ta-ta-ta".

Potência de 3

Precisamos ser corteses, manter nossa postura, realizar o diálogo com nitidez, clareza, perfeita dicção e sem palavrão.
Precisamos ser cultos, letrados, "culturados", mesmo num país tão desapegado.
Precisamos de carisma e erudição, disfarçar com perfeição todos os erros dessa bipolar obra prima, chega a me dar até um aneurisma.
Preciso terminar! A cabeça dói, explode!, e os olhos me saltam das órbitas. Ser perfeitamente corretos, polidos, é o que nos mandam ser.
Políticos, belos, esguios.
Nos mandam ser o produto do 1° mundo quando estamos no subúrbio do 3°, numa potência de 5°, multiplicados pelo rude e criados por um distúrbio.

sexta-feira, 8 de março de 2013

De acordo?

Nos afastamos. E sabemos o real motivo de termos feito isso?
Fomos apenas imaturas? Frutos de uma indisposição adolescente?
Nossa amizade era completa e cheirava bem, e tinha um gosto bom, e andava bem e... E?
E aí que nossos caminhos se ramificaram e nos perdemos uma da outra.

As indiretas na caixa postal, tuas, não sei se são para mim, mas ao lê-las, leio-as como se fossem.
Abro, aqui, mão desse meu orgulho careta para, tentar, reatar aquela semente fértil que um dia foi a nossa amizade.

De acordo?

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