terça-feira, 30 de julho de 2013

Karollstóika

Nem mais mulher...
Nem mais adolescente...
Encontra-se, ela, numa fase intransigente
Em que amar, doar-se e perder-se é só uma questão de carência;
De querer-se...
Só.
Sozinha.

Concubina da depressão fez-se
Sem motivos aparentes...
Seus segredos são velados...
Faltou-lhe pulso,
Faltou-lhe...
                    [afago?]
Do afago amargo,
Fez mel
E de suas palavras...
O mais puro fel

Atirando-se sem rumo,
Pôs-se a pensar...
Seria, deveras, sobre Amor?
Seria, deveras, sobre Cigarillas?
Seria, deveras, sobre Merlot ou Cabernet?
Seria, deveras, sobre seu Adônis perdido?
Ou sobre Eco retumbando em sua tumba de pedras?
Impenetrável...

Uma Psiquê contemporânea,
Abraçando o Cupido mal esculpido,
Feito das entranhas de um Lobo Guará,
Talhado à mão por quem faz Maracás

Ainda assim, ainda assim, sua tristeza, repentina!, continua me sendo um mistério...
A mim, observadora do Alto,
Atiro-me num salto por um átimo de certeza...
Sei da tristeza dela...
Confessou-se à mim, Condessa...
Escapou de minhas mãos
                                         [E suposições]
Como uma libélula que foge ao entardecer ...

O céu já foi mais azul...
Os rouxinóis já cantaram mais alto
E os viúvos vivos travaram sua última batalha...

Nessa tela pitoresca,
Em busca de saber,
Em busca de entender o que queria...
Perdemo-nos e peço perdão por ter falhado...
Erros não evitados...
Resultados equivocados...
Não esperados...
Mal interpretados...

Ora, quanta redundância!
Quanta desimportância!

domingo, 28 de julho de 2013

Lispectorizando

Lispector, Lispector...
Não sou Lispector, muito menos Clarice...
Não sou como essa mulher, mas compreendo seus segredos...

Deusa incompreendida, lida por almas mal-formadas...
Revelou sua paixão por meio de G.H., despiu sua pele de foca e encaminhou-se ao mar.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Graxa X Memory Card

Procurei, procurei...
E não vi!
O que será?
Por que será?
O que aconteceu?
Nos perdemos?

Já nem sei...

Sinto-me um corpo obsoleto na história,
Um resquício mal investigado,
Um peso esquecido e fadado... ,
Um motivo de algúria...

Então, agora vejo,
Agora sinto,
Agora visualizo e amargo...

Faltou o par,
Faltou sermos casal...

Geekman ou Mecânico?
Tanta faz...
Duas pessoas,
Duas faces,
Uma personalidade...

Objetos de amor
De amadoras distintas,
As quais são tão iguais...

Tanto faz...
Duas pessoas,
Duas faces,
Uma personalidade...

O que faltou?
Será que foi Graxa?
Ou será que foi Memory Card?

Já não sei...

Geekman ou Mecânico?
Tanta faz...
Duas pessoas,
Duas faces,
Uma personalidade...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Caffé d'Amour"

Meu bem, me diga:

Como é que eu faço
Para você dizer que me quer
E depois me chamar
Para tomar um café?

domingo, 14 de julho de 2013

Arctic Monkeys - Do I Wanna Know?



"Do I wanna know? If you feel the same as I do..."

As Emoções em Série: Dica musical de hoje

As Emoções em Série: Dica musical de hoje: Instant Crush - Daft Punk (ft. Julian Casablancas) Random Access Memories (2013) (clique aqui para ler a letra)

Um Atlas, por favor.

Sim, sim, conversamos durante a madrugada...
E você não me disse nada.

Sim, sim, estou equivocada...
Talvez devesse dar uma repensada.

Sim, sim, estou incomodada...
Fadada a ver você desconversar.

Sim, sim, estou enganada...
Não hei de, porém, me preocupar...

Sim, sim, estou certa...
Tu és um gajo acomodado,
De atitude e palavras lesadas,
De gestos lerdos
E poucos versos...

És, acima de tudo,
Um gajo elaborado,
Não desvendado
Nem encontrado pelo meu Mapa
Que não me levou a
Nada...

Maldito X Mal Dito

Loucura, devaneio... já não sei... Nesse abismo desenfreado,
Estou a me lançar...

Quem há de me aparar?
Tu?
Teu Deus?
Mostra, mostra, agora, a tua face
Ou, quem sabe, a face do teu salvador!
Pois o meu, que és tu, virou-me as costas,
Lançou-me ao Inferno...
Mas pouco me importa,
Já me abstive de meus pecados...

Yes, I wanna know it.

I'm too busy fallin' in love for you, baby.
Please, call me back, 'cuz I wanna know if you feel the same as I do...
But you disappear completely...
Baby, please, I've to know if you feel the same as I...
I'm a lover...
And I (think) I love you...
It costs a lot answer me?
I don't wanna be your friend, baby, please take me...
Take care of me...
Take a kiss from me...
And, finally, be mine.

sábado, 13 de julho de 2013

Meu bem, lhe falo de amor...

Pois é, amor, aqui estou eu
De novo...
A falar de amor.

Agora me renovo,
Me desdobro,
Me reencapo!

Não venho reclamar de um velho amor...
Venho anunciar o novo!
O exuberante!
O extasiante!
Quem sabe viciante e regozijante...?

Amor, por favor, não se espante!
Sei que sou infante!

De uma infantilidade hostil!
Eu sei, eu sei, meu bem...
Mas só mais um verso, eu prometo
Que fecharei os olhos e imaginarei por um instante
O teu favo de mel e tua aura delirante!

Baby, por favor, nem agora
Ou depois
Te dou permissão pra não me amar.
Estás amarrado em mim...
Cordas invisíveis a enlaçar-te.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Diários Não Autorizados da Ruiva do Andar de Baixo - Parte III

Sentia-se uma esquizofrênica.
Deitada na varanda de casa, os pés encostados na parede, as mãos cobrindo o rosto contra a luz do sol forte e os fones de ouvido contornando o busto por onde o fio passava...
Não era bonita.
De longe!
Era bem desajeitada. Cabelos nem curtos nem longos. Ruivos.
Uma aura encantada, mas assustadoramente distante...
Queria saber o que ela ouvia, via sua cabeça dançando, via seus lábios se movendo...
Era bonita naquele instante.

No segundo momento, despertou de um sono distante e levantou-se. Caminhou para a porta de acesso à casa com um olhar vago.
Deveria ter o que fazer, mas se sentia improdutiva.
Tinha problemas de foco, não se concentrava em nada por muito tempo...
Dado alguns minutos, passava a despedaçar a borracha, a morder o lápis, a olha o teto, a girar na cadeira e a pensar em alguém.
                                   [desconhecido por mim]
A Ruiva se levantou, caminhou e sentou de novo diante da escrivaninha.
Nada.
Absolutamente nada.
Só a dúvida e a perturbação cotidiana...
Mas a isso ela já estava habituada, só não se habituava a estudar e a ser disciplinada.

Voltou pra varanda e adormeceu durante seu banho de luz.

Cantaleu

Somos desprovidas de dotes... e de que isso importa?
Não temos uma voz boa, não tocamos nenhum instrumento (objetos valem?)
Somos descoordenadas,
Completamente incapacitadas de exercer qualquer função
Que necessite de uma equação.

Ela possui uma boa voz e toca alguma coisa.
E eu uma caneta e um papel.

Dane-se!
Eu escrevo e ela canta.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não sou como o Poeta Exagerado



Não sou a Bete Balanço, nem canto ou escrevo como Cazuza, que tanto embala meus dias.
Muito menos sou a poeta do exagero...
Ou seria?
Um exagero banal, talvez...

Pudera eu me comparar à tal,
Quem sou eu?
Uma aprendiz das coisas da vida,
Dos contos de amor
E das injustiças de um mundo preconceituoso
E letal.

Não, não tenho AIDS
Não amo xerifes ou shakes Alemães.

Ninguém nunca me deixou um bilhetinho azul
Ou qualquer rosa roubada...

Não procuro um amor inventado...
Mesmo sendo isso que me reste.

Não morreria de inanição por ninguém,
Mas largaria tudo por quem valesse a pena.

Jorgar-se aos pés..
Tão íntimo e desesperado;
Tão revelador...
Tão CAZUZA!
O legítimo exagerado...

O Poeta tem razão,
O TEMPO NÃO PARA!
Então, por que nos pomos a desperdiçá-lo?
Por que não nos entregamos
                                        [E nos juntamos?

Demorei a perceber
Que isso não rima...
Quem sabe eu escrevo "sina"?
E assim tem algum ritmo.

Não adianta.
Não me igualo ao mestre,
Mas sei que seus ensinamentos de amor são válidos.

Aprendi a não investir sem pôr no seguro.


Barba Negra

Um alívio!
Um equívoco!
Me perdoe, amor, se errei
Se disfarcei os versos como se fossem para outrém;
Se fingi ser quem o espanta...

Amor, na verdade, só quero a tua saudade colada na minha face...
Ela e a tua barba,
Macia e quente,
Acalentando meu coração
E me fazendo esquecer qualquer distração.

Fazendo esquecer qualquer palavra maldita,
Qualquer palavra mal dada,
Qualquer palavra recalcada...

Palavras místicas,
Palavras cabalísticas
Entoadas pela tua voz...

Ai de quem me tire a paz...

A Outra

Ele tem outra, eu sei;
Escondeu versos no buquê.

Ele tem outra, eu sei;
Se dispôs a fazer qualquer coisa.

Ele tem outra, eu sei;
Já não passo de migalhas.

Ele tem outra, eu sei;
Persistirei a sofrer.

Ele tem outra, eu sei;
Fantasmas na janela.

Ele tem outra, eu sei;
Esperanças despedaçadas.

Ele tem outra, eu sei;
Para quê me debulhar em lágrimas?

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