terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Amigos, sou dúvida.

Tenho estado numa ânsia terrível por escrever; mesmo quando não tenho a menor ideia do que quero jogar no papel, fica difícil controlar minhas próprias mãos.
Talvez seja todo esse estresse pós diversos compromissos e conflitos, talvez seja a minha TPM mesmo...
Não sei... estou aflita por ter que continuar esperando e essa falsa esperança... procurando saídas, buscando oportunidades e gastando o tempo com coisas tão infundadas...
Não sei... posso dizer que agora me sinto, literalmente, reticências (...)
É um conflito interno, uma luta para exteriorizar os temores... Terrível.
Estou sentindo falta de alguma coisa e não tenho a menor ideia do que possa ser... ah, terrível.
Isso é um desabafo sem o menor sentido para quem o lê: não contém ódio, não contém amor, nem nada substancial... apenas dúvidas, um dilema anônimo que briga para aparecer...

Amigos, sou dúvida.


sábado, 19 de janeiro de 2013

A Inércia dos Patrícios


Mesmo sendo descrita como um dos três assuntos a não serem discutidos, a política possui uma grande importância para toda nossa população e ao futuro político nacional. Ao desconsiderarmos ela, seguimos para o caminho da alienação e reforçamos a marca que o brasileiro possui do “pior que tá não fica”.
 É fato, estamos acomodados com o governo que temos e com essa política nem sempre tão limpa que nos é apresentada. Perguntamo-nos: ainda vale a pena crer nela? Obviamente que sim, pois é de extrema importância valorizar a política que rege nossa nação e que, acima de tudo, rege vidas. Sim, pois é devido a ela que muitos brasileiros passam fome, mas é também por meio dela que veremos a pobreza ser erradicada. É preciso que tenhamos consciência de que propor um debate e supostas soluções para essa aflição nacional é pura utopia, pois estamos todos acostumados com essa mesma condição de país. Todavia, esse desinteresse não nos torna, necessariamente, apolitizados, mas sim nos caracteriza ainda mais como uma população extremamente inerte frente ao seu governo.
Ergamos nossas cabeças e tiremos nossas vendas porque estamos deixando passar diversas oportunidades para transformar nossa nação em algo que, ao menos, possua alguma participação pública; façamos nossa democracia. Porém, continuamos nossos dias normalmente, como se não houvesse política e embora haja a habitual indignação (passageira) perante o aumento de impostos, o caixa-dois e o mensalão, seguimos estagnados. Não há outra solução para a política de nosso país, e o apostar ou crer nela já não é mais o essencial. Não, temos de ver que o ápice da transformação política será no instante em que despertarmos para o nosso povo e abandonarmos essa postura negligente diante das eleições, dos plebiscitos e de todas as outras atividades políticas que possibilitam o contato com a sociedade.
Propor soluções e teorias é extremamente simples, mas mover uma população inteira não o há de ser. Romper a barreira da inércia e do comodismo é o principal desafio daqueles que buscam transformar a situação política brasileira e por isso temos de ser cuidadosos e precavidos diante de nossos patrícios, pois, infelizmente, basta uma palavra mal formulada e uma possível mudança sociopolítica cairá (novamente) no esquecimento, ficando apenas no papel, da mesma forma que ocorre com todo o resto no Brasil. Que, quando crescermos como cidadãos, desempenhemos a nossa função: lutar pelos nossos direitos. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Primavera dos Corpos

Sob a fraca luz jaz um corpo...
Não inanimado! Não morto!
Cansado!
Cansado da luta, do embate entre os corpos...

Sob a fraca luz jaz um corpo...
Um corpo cor de mogno,
Coberto por linhas curtas negras;
Cuja pele macia ergue-se
Frêmito, permeando a Flor Vermelha
E esta desabrocha lentamente,
Com todo seu caule reverberando,
Num infindável Frenesi.

Nessa Primavera dos Corpos,
A Graúna passa seu bico entre as Pétalas da Flor Vermelha,
Sugando o Néctar que transborda
E atinge as folhas.

A Flor Vermelha, agraciada com a frescura da Graúna, lança-se sobre ela!
E aquela, com o bico, corta-lhe fora o caule,
Revelando toda a seiva que a Flor continha dentro de si
Agora liberta em êxtase

Pousada no chão

Sob a fraca luz...

2 Plus 2 Equals 5

Persisto nessa trama já com os olhos semicerrados, prontos para te entregar a verdade irrefutada.
Das minhas dores fizeste cores e, das minhas lágrimas, a abençoada.
Divino leigo, estás ao meu lado?
Enrosca-te no meu seio...
Nessa poesia suja, jogo de letras e falsos números,
Quem pleiteia teu amor sou eu
E quem o recebe faz-se ESPUMA.

A Título do Chão

Quero tudo e não quero nada...
Quero preencher linhas, quero revolver a terra molhada... molhada da chuva que cai lá fora, quero ar, quero vida, quero quem me queira...
Cansei de me sentir sozinha, cansei de sorrir o tempo todo e rir de piadas sem graça. Cansei dos homens, cansei das mulheres, cansei das crianças... só não cansei dos velhos: fontes de sabedoria e experiências, loucos por conversa e atenção, carinho e amor...
AMOR... é o que todos buscam e eu, vira e mexe, tropeço em alguém que acho que posso amar, mas na verdade não passo de uma menininha ingênua que nada sabe e que muito menos sabe amar. No máximo sabe conjugar o verbo "amar" e no fim é tudo, tudo é "O AMAR".
Ele que nos cria; dos melhores aos piores sentimentos.
A ambição, por exemplo, não passa de amor, assim como o egoísmo e até mesmo o ódio que revela apenas ser o gosto por desgostar de algo ou alguém.
Então, no fim das contas, eu sei amar! Não do jeito que querem ou esperam, mas AMO! ... de uma forma distorcida, mas sei amar!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Vai-te? Foste!

Guardei, chorei e não recebi
Do teu amor, cujo coração guardado
Foi sangrado e padeceu
Tuas palavras eu ouvi,
Tuas lágrimas segurei,
Para ganhar
    -Ganhar o quê?!
O dissabor da tua ingratidão
Refletida na tua sombra ocular!
Desfaz teus mistérios e a névoa que te cerca,
Fria e calculista,
A amargar minha vida
E a interceder minha brisa!
Enegrece minha vista...
   - Findaste por ter-me em fuligem...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Não, não tenho nada a dizer

Não sei mais o que escrever,
Não tenho mais o que dizer...
Me restam linhas duras;
Linhas rígidas;
Frias.
Calculistas.

Podia escrever sobre a saudade,
Podia falar a verdade,
De novo?
É claro!
Mas você passa a me odiar,
A me repudiar
E quando vejo,
Vejo duas saídas:
Ou eu lhe peço desculpas ou lhe fujo entre as mãos.

Fugi entre tuas mãos e nada,
Tu ou eu,
Fizemos para mudar.

Razão do meu ódio, tornou-se esse mágoa,
Essa ruptura.

Faltou-me palavras e não lhe peço desculpas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Breu dos teus olhos

Vejo tristes olhos negros.
Ó, belos olhos negros,
Olhos de Corcel,
Olhos tristes de perro indócil,
Tristes são aqueles pequenos olhos.

Breu total!

Compartilha a tua incerteza...
Não és tua?
Então por que revelas  tristes olhos negros,
Olhos negros tristes,
Negros tristes olhos?

Meu telescópio não alcança tua casa...
E não posso mirar tuas órbitas...
Do que me vale Saturno se não hei de ter teus belos negros tristes olhos?
Olhos de Corcel, olhos de perro indócil?

Tristes olhos negros, retirar-te-ei o breu da invernosa tristeza inverossímil.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Convergência

Acho que não preciso mais disso.
Na verdade, tenho certeza de que nunca precisei.
Cansei.
Cansei de tudo: das pessoas, das cores, do meu rosto, do meu corpo, dos móveis, dos automóveis e principalmente de quem me usa; de quem me enxerga como reflexo de outra pessoa; de quem procura em mim pontos coincidentes com os demais.
Odeio coincidências.
Não venha me dizer que somos "comuns" por termos pontos convergentes. Por termos os mesmos gostos;
Não venha me dizer que pesquisou nossos ascendentes e que somos "comuns" por causa disso;
Não venha me dizer que somos do mesmo signo;
Não venha me dizer que procurou pela hora e pela data do nosso nascimento;
Não venha me dizer que capturou, num dia, o mesmo brilho no olhar.
Nunca serei quem você quer.
Coincidências são medíocres e quem as procura é ainda mais.
Odeio coincidências.

domingo, 25 de novembro de 2012

A Singularidade da Tua (Minha?) Beleza

Aparência.
Do que importa ela se lhe falta caráter?
Do que importa se sou ou não agradável aos olhos?

Traz-me uma sensação incômoda essa certeza de que,
Se fui seleta, fora porque algum atributo físico lhe roubou o olhar;
A atenção.

A minha "beleza" está nos versos...
E nem neles mais o estão!
São eles, todos, tão brancos...
Vazios.
Tolos.
Supérfluos?

Insensato é eu tentar me adequar pra você.





sábado, 24 de novembro de 2012

Não pretendia; não queria

Equívoco! Paranoia! Insanidade...
Desculpe-me compartilha-lá contigo
E não releve minha insensatez,
Mas revela, à mim, tua fiel seguidora, se é obrigatoriedade;
Obrigatoriedade da tua parte ser meu consorte?
Livrar-me-ei de tal incômodo se esse vir a tornar-se o teu infortúnio
Porque, dos meus, cabo já procuro o dar.

São, essas, palavras tão bem medidas e procuradas;
Selecionadas por mim como um ourives a medir sua prata 
E a negociar seu ouro,
Mas que no fim perderam seu objetivo de dizer-lhe que...
?

Também não sei o que queria expor;
Também não sei o que queria enxergar;
Também não sei o que pretendia lhe impor;
Apenas sei que não pretendia te amar.

sábado, 17 de novembro de 2012

Loja de Brinquedos


Ontem, ao dar uma volta pelo shopping, passei em frente à loja de brinquedos e, que incrível!, porque tive uma sensação tão boa de nostalgia dos meus 6 ou 7 anos e das correrias entre os corredores lotados de brinquedos...
Admito: essa foi uma época em que tive grande fascínio por bichinhos de pelúcia. Queria consumir todos eles, queria dispô-los nas prateleiras do meu quarto e apertá-los como se não houvesse amanhã.
Enfim, há um momento em que todos nós crescemos e, oh! Que infelicidade, nosso desejo por consumir também cresce, mesmo que se modifique.
As garotinhas de ontem são as fanáticas por bolsas e sapatos do agora e, aqueles menininhos fofos, são hoje homens alucinados por carros e acessórios fúteis, como sonzão e rodas de liga.
Amadurecemos, na realidade, a nossa futilidade perante as coisas que desejamos comprar; perante as coisas que não precisamos, mas que, para nos sentirmos incluídos nessa sociedade capitalista, findamos por obter, mesmo que para isso nos endividemos até os olhos.
Não nego: eu também compro como uma mulherzinha alucinada. Temos, todos, esse impulso por possuir algo de que não necessitamos realmente e mesmo que neguemos, a mídia é como uma vitrine que nos mostra roupas, sapatos e os mais diversos acessórios que aguçam esse sentimento de necessidade de posse; um instinto quase que animal de sobrevivência nessa sociedade claustrofóbica; presa numa bolha de vestes multicoloridas e palacetes reluzentes, reunidos para nos tentar e nos arrastar até o fundo daquele salão amarelo, azul, vermelho e verde. (Essas são as cores de nossas cédulas de dinheiro, certo?).
Entretanto, essas cores são a decoração das paredes de tais palacetes e não podemos arrancá-las; podemos apenas observá-las e ambicioná-las.
E quando não nos aguentamos mais de desejo, recorremos àquela instituição que nos libera as pequenas folhas multicoloridas, mas eles pedem pelo retorno delas! E ai de você se não pagar em dia! Caso contrário, as multas serão astronômicas e você não dará conta, tornando seu débito uma bola de neve. Porém não aquela neve branquinha e macia que você via, na sua infância, nas propagandas da Disney, quando cobiçava o boneco de pelúcia do Pluto ou a Minnie vestida de cozinheira. Não, essa neve é colorida e possui valor real. REAL! Que divertido, pois será assim que você deverá eliminá-la: em reais.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ode a Cronos

Ó belo relógio!
Medidor do tempo;
Do tempo comedido (espalha-se ao relento)...
Tão curto! Metamorfoseia-se num necrológio!

Ó Cronos, Senhor do Tempo!
Reivindico à ti o primórdio;
Primórdio do Tejo, com velas ao vento
Navegando pelas águas - sem ódio! - e com o amável relógio!

Acordar-se: tique- taque, tique-taque...
Os seus ponteiros dourados a me apontarem
E mirar-se no espelho da hora passada: um assombro, um ataque!

Ponteiros, usados como lanças a me cravarem
Oh, não! É a velhice que me corrompe!
Oh, necrológio, ó Cronos, por que suas rugas a me cravejarem?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aflar

Houve um dia em que chorei pela liberdade;
Houve um dia em que chorei pelo teu amor
Ajoelhei-me diante de ti, esquecendo minha vaidade
E recebi tua insensatez; teu olhar ameaçador

Meus olhos vibravam ao te mirar
Minhas vontades em expansão!
E teus lábios a me tentar,
Aguçar!
-Aguçavam meus sentidos e, quando tocavam nos meus, adocicavam essa pobre alma

Das amoras dos teu beijos, restaram rancores
E das tuas dores, o veneno que insuflou e corroeu meu existir,
Contaminou meu ar,
Rasgando paredes e tecidos de sentimentos.
Ser. Ser você, é o que eu não quero mais (ser).

sábado, 27 de outubro de 2012

Aquela que é banhada por Apolo


Uma mulher com seus trinta e poucos anos. Sim, uma mulher jovem, alta, de cabelos negros e lisos, pele alva, lábios finos, magra, olhos verde-escuros e de beleza singular, está sentada num pequeno sofá, para duas pessoas, marrom-escuro e de braçadeiras largas, apresentando – aparentemente – almofadas fofas e bem estofadas. Enquanto isso, a mulher beberica pequenos goles do café preto que está contido numa xícara de “pseudo - porcelana” com vários protótipos de Papai Noel grafados.
Detalhe: todos os “Papais Noéis” estão abraçados e no desenho parecem entoar uma canção natalina. Seria uma canção destinada às pobres criancinhas que ficam sem Natal? Que mal possuem um carrinho de madeira para brincar? A comunhão simbólica entre Papais Noéis representaria isso, uma apologia? Bem, acho que não. Acho que quem projetou o gráfico da xícara apenas desejava um desenho bonitinho.
Retorno a me concentrar na mulher.
Deixou sua xícara sob uma mesinha de centro, feita de madeira e de coloração marrom-escura, que combina com o sofá. Ela ergue o rosto – rosto bonito apesar de alguns sinais de expressão apontarem que a idade já a cerca – e parece preocupada, aflita, incomodada com algo. Seria com a cor da cozinha nova? Não posso saber, apenas posso especular e o que se passa na cabeça dela não é relevante neste momento.
O olhar dela percorre toda a sala, observando rapidamente os vasos de flores ali presentes. Não sei que flores são, mas posso dizer que uma delas é vermelha e muito bela. Já a outro, creio eu, é chamada “Jiboia”.
A luz do sol incide, ainda, fracamente acima das plantas e não apenas acima delas, mas também delineia o rosto da mulher a qual agora parece uma boneca de porcelana triste, com seus grandes olhos verdes chorosos e sua boca curvada para baixo e mesmo com os últimos raios solares a atingirem seus cabelos, ela é uma imagem fria e mórbida; um quadro. Mostra a beleza fúnebre dela e a tristeza dentro de seu globo ocular, fazendo com que me recorde do “Mal do Século” ou “Romantismo”, o que dá no mesmo, com Álvares de Azevedo e seus pesares de menino.
Os olhos dela se erguem e notam que eu tomo diversas outras “notas” sobre ela. É tempo de acabar.

Caixa de Textos