quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Não, não tenho nada a dizer

Não sei mais o que escrever,
Não tenho mais o que dizer...
Me restam linhas duras;
Linhas rígidas;
Frias.
Calculistas.

Podia escrever sobre a saudade,
Podia falar a verdade,
De novo?
É claro!
Mas você passa a me odiar,
A me repudiar
E quando vejo,
Vejo duas saídas:
Ou eu lhe peço desculpas ou lhe fujo entre as mãos.

Fugi entre tuas mãos e nada,
Tu ou eu,
Fizemos para mudar.

Razão do meu ódio, tornou-se esse mágoa,
Essa ruptura.

Faltou-me palavras e não lhe peço desculpas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Breu dos teus olhos

Vejo tristes olhos negros.
Ó, belos olhos negros,
Olhos de Corcel,
Olhos tristes de perro indócil,
Tristes são aqueles pequenos olhos.

Breu total!

Compartilha a tua incerteza...
Não és tua?
Então por que revelas  tristes olhos negros,
Olhos negros tristes,
Negros tristes olhos?

Meu telescópio não alcança tua casa...
E não posso mirar tuas órbitas...
Do que me vale Saturno se não hei de ter teus belos negros tristes olhos?
Olhos de Corcel, olhos de perro indócil?

Tristes olhos negros, retirar-te-ei o breu da invernosa tristeza inverossímil.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Convergência

Acho que não preciso mais disso.
Na verdade, tenho certeza de que nunca precisei.
Cansei.
Cansei de tudo: das pessoas, das cores, do meu rosto, do meu corpo, dos móveis, dos automóveis e principalmente de quem me usa; de quem me enxerga como reflexo de outra pessoa; de quem procura em mim pontos coincidentes com os demais.
Odeio coincidências.
Não venha me dizer que somos "comuns" por termos pontos convergentes. Por termos os mesmos gostos;
Não venha me dizer que pesquisou nossos ascendentes e que somos "comuns" por causa disso;
Não venha me dizer que somos do mesmo signo;
Não venha me dizer que procurou pela hora e pela data do nosso nascimento;
Não venha me dizer que capturou, num dia, o mesmo brilho no olhar.
Nunca serei quem você quer.
Coincidências são medíocres e quem as procura é ainda mais.
Odeio coincidências.

domingo, 25 de novembro de 2012

A Singularidade da Tua (Minha?) Beleza

Aparência.
Do que importa ela se lhe falta caráter?
Do que importa se sou ou não agradável aos olhos?

Traz-me uma sensação incômoda essa certeza de que,
Se fui seleta, fora porque algum atributo físico lhe roubou o olhar;
A atenção.

A minha "beleza" está nos versos...
E nem neles mais o estão!
São eles, todos, tão brancos...
Vazios.
Tolos.
Supérfluos?

Insensato é eu tentar me adequar pra você.





sábado, 24 de novembro de 2012

Não pretendia; não queria

Equívoco! Paranoia! Insanidade...
Desculpe-me compartilha-lá contigo
E não releve minha insensatez,
Mas revela, à mim, tua fiel seguidora, se é obrigatoriedade;
Obrigatoriedade da tua parte ser meu consorte?
Livrar-me-ei de tal incômodo se esse vir a tornar-se o teu infortúnio
Porque, dos meus, cabo já procuro o dar.

São, essas, palavras tão bem medidas e procuradas;
Selecionadas por mim como um ourives a medir sua prata 
E a negociar seu ouro,
Mas que no fim perderam seu objetivo de dizer-lhe que...
?

Também não sei o que queria expor;
Também não sei o que queria enxergar;
Também não sei o que pretendia lhe impor;
Apenas sei que não pretendia te amar.

sábado, 17 de novembro de 2012

Loja de Brinquedos


Ontem, ao dar uma volta pelo shopping, passei em frente à loja de brinquedos e, que incrível!, porque tive uma sensação tão boa de nostalgia dos meus 6 ou 7 anos e das correrias entre os corredores lotados de brinquedos...
Admito: essa foi uma época em que tive grande fascínio por bichinhos de pelúcia. Queria consumir todos eles, queria dispô-los nas prateleiras do meu quarto e apertá-los como se não houvesse amanhã.
Enfim, há um momento em que todos nós crescemos e, oh! Que infelicidade, nosso desejo por consumir também cresce, mesmo que se modifique.
As garotinhas de ontem são as fanáticas por bolsas e sapatos do agora e, aqueles menininhos fofos, são hoje homens alucinados por carros e acessórios fúteis, como sonzão e rodas de liga.
Amadurecemos, na realidade, a nossa futilidade perante as coisas que desejamos comprar; perante as coisas que não precisamos, mas que, para nos sentirmos incluídos nessa sociedade capitalista, findamos por obter, mesmo que para isso nos endividemos até os olhos.
Não nego: eu também compro como uma mulherzinha alucinada. Temos, todos, esse impulso por possuir algo de que não necessitamos realmente e mesmo que neguemos, a mídia é como uma vitrine que nos mostra roupas, sapatos e os mais diversos acessórios que aguçam esse sentimento de necessidade de posse; um instinto quase que animal de sobrevivência nessa sociedade claustrofóbica; presa numa bolha de vestes multicoloridas e palacetes reluzentes, reunidos para nos tentar e nos arrastar até o fundo daquele salão amarelo, azul, vermelho e verde. (Essas são as cores de nossas cédulas de dinheiro, certo?).
Entretanto, essas cores são a decoração das paredes de tais palacetes e não podemos arrancá-las; podemos apenas observá-las e ambicioná-las.
E quando não nos aguentamos mais de desejo, recorremos àquela instituição que nos libera as pequenas folhas multicoloridas, mas eles pedem pelo retorno delas! E ai de você se não pagar em dia! Caso contrário, as multas serão astronômicas e você não dará conta, tornando seu débito uma bola de neve. Porém não aquela neve branquinha e macia que você via, na sua infância, nas propagandas da Disney, quando cobiçava o boneco de pelúcia do Pluto ou a Minnie vestida de cozinheira. Não, essa neve é colorida e possui valor real. REAL! Que divertido, pois será assim que você deverá eliminá-la: em reais.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ode a Cronos

Ó belo relógio!
Medidor do tempo;
Do tempo comedido (espalha-se ao relento)...
Tão curto! Metamorfoseia-se num necrológio!

Ó Cronos, Senhor do Tempo!
Reivindico à ti o primórdio;
Primórdio do Tejo, com velas ao vento
Navegando pelas águas - sem ódio! - e com o amável relógio!

Acordar-se: tique- taque, tique-taque...
Os seus ponteiros dourados a me apontarem
E mirar-se no espelho da hora passada: um assombro, um ataque!

Ponteiros, usados como lanças a me cravarem
Oh, não! É a velhice que me corrompe!
Oh, necrológio, ó Cronos, por que suas rugas a me cravejarem?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aflar

Houve um dia em que chorei pela liberdade;
Houve um dia em que chorei pelo teu amor
Ajoelhei-me diante de ti, esquecendo minha vaidade
E recebi tua insensatez; teu olhar ameaçador

Meus olhos vibravam ao te mirar
Minhas vontades em expansão!
E teus lábios a me tentar,
Aguçar!
-Aguçavam meus sentidos e, quando tocavam nos meus, adocicavam essa pobre alma

Das amoras dos teu beijos, restaram rancores
E das tuas dores, o veneno que insuflou e corroeu meu existir,
Contaminou meu ar,
Rasgando paredes e tecidos de sentimentos.
Ser. Ser você, é o que eu não quero mais (ser).

sábado, 27 de outubro de 2012

Aquela que é banhada por Apolo


Uma mulher com seus trinta e poucos anos. Sim, uma mulher jovem, alta, de cabelos negros e lisos, pele alva, lábios finos, magra, olhos verde-escuros e de beleza singular, está sentada num pequeno sofá, para duas pessoas, marrom-escuro e de braçadeiras largas, apresentando – aparentemente – almofadas fofas e bem estofadas. Enquanto isso, a mulher beberica pequenos goles do café preto que está contido numa xícara de “pseudo - porcelana” com vários protótipos de Papai Noel grafados.
Detalhe: todos os “Papais Noéis” estão abraçados e no desenho parecem entoar uma canção natalina. Seria uma canção destinada às pobres criancinhas que ficam sem Natal? Que mal possuem um carrinho de madeira para brincar? A comunhão simbólica entre Papais Noéis representaria isso, uma apologia? Bem, acho que não. Acho que quem projetou o gráfico da xícara apenas desejava um desenho bonitinho.
Retorno a me concentrar na mulher.
Deixou sua xícara sob uma mesinha de centro, feita de madeira e de coloração marrom-escura, que combina com o sofá. Ela ergue o rosto – rosto bonito apesar de alguns sinais de expressão apontarem que a idade já a cerca – e parece preocupada, aflita, incomodada com algo. Seria com a cor da cozinha nova? Não posso saber, apenas posso especular e o que se passa na cabeça dela não é relevante neste momento.
O olhar dela percorre toda a sala, observando rapidamente os vasos de flores ali presentes. Não sei que flores são, mas posso dizer que uma delas é vermelha e muito bela. Já a outro, creio eu, é chamada “Jiboia”.
A luz do sol incide, ainda, fracamente acima das plantas e não apenas acima delas, mas também delineia o rosto da mulher a qual agora parece uma boneca de porcelana triste, com seus grandes olhos verdes chorosos e sua boca curvada para baixo e mesmo com os últimos raios solares a atingirem seus cabelos, ela é uma imagem fria e mórbida; um quadro. Mostra a beleza fúnebre dela e a tristeza dentro de seu globo ocular, fazendo com que me recorde do “Mal do Século” ou “Romantismo”, o que dá no mesmo, com Álvares de Azevedo e seus pesares de menino.
Os olhos dela se erguem e notam que eu tomo diversas outras “notas” sobre ela. É tempo de acabar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fragmentação da chaleira imaginária e devaneios consecutivos

Já não tenho mais certeza do meu amanhã
                                              [nunca o tive
A chaleira, chia, ferve, entra em ebulição
Vai se transformando em microscópicas nuvenzinhas de gotículas de vapor d'água
Ouço o som delas lutando contra o cativeiro que a panelinha incute

Divago.

Penso que muitos de nós permanecem em cativeiros,
Ricocheteando nas paredes invisíveis do que nos aflige e escraviza.
Agoniza.
Quem vos fala não sou eu mesma, não pretendo fazer mais rodeios
E quem injetou em mim a droga alucinógena natural,
Agora prende minha mão contra seu peito
Aproxima o rosto e o encosta no meu seio,
Sussurrando palavras inaudíveis - invadem minha zona neural! -
                              - Talvez, meu bem...
Escravos...
Ebulição!
Chama!
Queima!
Explosão!
Gritos!

Não vou mais te ver...
Por enquanto...
                         - Eu te quero tanto...




domingo, 14 de outubro de 2012

Calcifica e depois adocica

Eu não sirvo pra poesia
A prosa é minha amiga
Então por que componho versos?
Pela beleza?
Nem sonoridade consegui colocar!
Ó tristeza!
Inspiração, invade-me e toma as rédeas
Injeta nesse cérebro - em curto circuito - um pouco do óleo;
O óleo da criatividade!
Aproveita e ensina-a a amar,
Para que este coração não seque nem finde pela falta de ar

Caranguejo

Lamento pelos meus modos.
Lamento não conseguir te mostrar o que há de bom.
Lamento lamentar tanto nos teus ouvidos.
Lamento minha ignorância sobre o amor.
Lamento meu egoísmo e minha falta de empatia.

Do meu melhor restam apenas gestos bruscos e palavras ácidas.
Lamento ser esse ser; ser eremita provida de casca e garras.

Para alguém como eu.

Nosso principal problema é cansar de tudo muito rápido; meu principal problema. Ficar se reinventando, não para agradar aos outros, mas para se sentir renovada, é um saco. Um mal necessário para quem sente que está faltando algo; para alguém que procura coisas novas; para alguém que cansa de si mesmo; para alguém como eu.

Ao Inferno

Dane-se que você não goste!
A sua opinião já não tem mais importância.
E aí se eu faço algo errôneo?
Mais vale a tentativa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Libido

Menos sobriedade!
E viva à libertinagem
Transformando o sexo em seriedade!
Rostos reluzentes
Em busca desse prazer entorpecente
Querendo fugir da prisão de seus corpos
Refugiando-se no tesão
E implorando pelo perdão do objeto,
Cujo coração latente
Desespera, bate e rui num abismo em expansão!
Sugai o mel do ventre cálido
E não reivindicai pelo tempo desperdiçado
Em prazer libidinoso

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